Meu colega, o Hermes

O Hermes saiu da aposentadoria há alguns anos. Foi chamado pra trabalhar como escritor aqui em São Paulo. Vestiu o conjunto verde que sempre lhe caiu tão bem e se mandou do Rio Grande do Sul.

Chegou na velocidade dos correios.

Apareceu meio sem jeito e encontrou seu canto entre outros colegas mais jovens e descolados. Rapidamente Hermes mostrou que os anos de aposentadoria em nada afetaram seus anos de experiência. Os textos levavam mais tempo pra ficarem prontos, afinal, eram feitos à maneira antiga. Hermes não usava nada que se ligasse na tomada. Mas a literatura que fluía de suas mãos era inigualável.

A gramática era perfeita, revisada exaustivamente. Resultado de uma certa insegurança de Hermes, na verdade. Seus dedos tremiam um pouco e às vezes teclavam nas letras erradas. Sua clareza de ideias, nesses tempos de esquizofrenia desvairada da literatura de blog, descia bem pela garganta. Hermes tinha ainda outros segredos, era poeta! Mas não desses exibidos. Sua poesia fluía no texto, quase imperceptível, mas ainda assim, bastante agradável.

Hermes era calado, mas quantas histórias tinha pra contar.

Este é o Hermes B.

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