Uma relação estranha

Verônica amava sua irmã mais nova mas também a odiava. 

Às vezes desejava sua morte. Fantasiava um acontecimento abrupto, um acidente de carro, uma pausa respiratória na calada da noite, um vírus misterioso que ninguém conhecia. Mas bastava a irmã machucar o joelho que lá ía Verônica chorar também.

Ensinou quais eram os autores bons de ler e a irmã acreditava cegamente no gosto da mais velha, devorando livros. Mas quando a pequena recebia nota 10 em redação, Verônica se remoía de inveja.

Não aceitava o fato de que a irmã crescera com um pai, uma mãe, uma irmã mais velha e um cachorro, pois Verônica não teve nada disso. Não gostava quando diziam que eram parecidas mas via nela uma versão mais nova e alegre de si mesma.

Começou a ter sonhos esquisitos e logo desconfiou: não eram sonhos seus. Será que de tanto querer ser outra pessoa estava roubando-lhe o subconsciente?

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Um comentário sobre “Uma relação estranha

  1. Engraçado, muitas vezes vejo q acontecem com minha irmã mais nova coisas legais q sempre sonhei, mas nunca se deu comigo. Por outro lado há coisas q se passaram com ela q graças a Deus nunca se passou comigo… rs…
    Bjos na alma!

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