Esmalte Sereia

Acordou se sentindo leve. Enfim teve uma folga depois de três anos mergulhada no trabalho. Seu ofício era lavar toalhas gigantes num hotel. Hotel, não. Resort.

Suas mãos viviam afundadas na água, quente ou fria. E também no cloro, no alvejante e no sabão. Quase não tinha mais impressões digitais.

Lutava pra tirar as toalhas da máquina, torcer e colocar na secadora. Seus músculos foram desenhados levantando o mais puro algodão egípcio. Molhado.

Então, no seu primeiro dia de folga em muito tempo, acordou bem mais tarde do que costume. Resolveu que iria na manicure fazer as unhas.

O Sol estava forte mas a brisa refrescava bem. Era como tirar o sapato depois de um dia inteiro de aperto.

No caminho olhou o mar. Nunca parava pra admirá-lo. Os turistas gringos não estavam errados, era bonito mesmo.

Sentiu que tinha andado no caminho errado. Não queria ser lavadeira, queria ser sereia.

Foi na manicure, pintou as unhas de verde claro e foi curtir seu primeiro dia de desemprego.

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Um comentário sobre “Esmalte Sereia

  1. ai que historinha doce. como é bom fazer algo que gostamos. como é bom viver como nos sentimos bem. fazer coisas que nos dá verdadeiro prazer :) adorei. luz por aí… bisous!

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