Obsessão de 5 segundos

Num dia de calor sufocante caiu uma chuva de 5 segundos. Molhou o asfalto quente e transformou o bafo em ar respirável. Logo depois, olhei pela janela e o Sol já tinha secado qualquer rastro de água.

Naquele instante, eu vivia mais um momento de obsessão mental. Meus pensamentos se alternavam aleatoriamente entre palavras assim: Quando, Como, Por quê. Sempre acompanhadas de verbos conjugados  no futuro. Porque vez ou outra, assim como hoje, sou surpreendida por meus 5 segundos de obsessão com o futuro. Nestes momentos me interrogo, me cobro e me julgo. (E sabe) nunca ganho a causa.  Condenada a nunca saber como me resolver.

Mas aí os 5 segundos passam. Volto pra minha vida de horário pra pegar o ônibus, de salário pra guardar no fim do mês, da tarefa urgente de arrumar as gavetas e de happy hour no bar. Me recolho pro vazio do cotidiano e nele me aconchego como numa tarde preguiçosa de Sol.

Só pra tempos depois voltar a me questionar: Quando vou  me mexer? Quando vou mudar? Quando vou aprender? Quando essa obrigatoriedade de ser feliz vai deixar de ser um fardo?

Há alguns anos um amigo me disse que Deus sempre espera você estar pronto. Se é assim, só posso concluir, que há tempo pra tudo. Tempo pra lutar com todas as forças e tempo pra se esconder lambendo as feridas. Tempo de não entender nada e tempo de finalmente dar certeza. Tempo até pra descobrir como se vive essa loucura que a gente chama de vida.

Hoje quero me dar um conselho:

-Andrea, há tempo pra tudo.

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