É grave, doutor?

Eram 3 metros quadrados que ficavam ainda menores com os inúmeros objetos espalhados aleatoriamente pela sala. A doutora Cândida mantinha sua postura fleumática e voz suave, sem notar o caos em que vivia instalada, entre cadernos e canetas, anjos de vidro e elefantes de resina, pegadores de sonho e mandalas. Verônica observava uma fila de matrioshkas que  diminuia progressivamente ao longo de uma prateleira. O fato de uma se encaixar perfeitamente dentro da outra era uma ideia hiptonizante para ela.

-Verônica? Então, me diga… Que sonhos são esses que vêm te perturbando?

-O problema é esse… eu não consigo lembrar! Eu acordo angustiada, às vezes até gritando… demoro a dormir pensando no sonho… mas no dia seguinte, já esqueci tudo.

-Você não se lembra de nada, nenhuma imagem, nenhum som? Qualquer coisa pode ajudar. 

-Nada mesmo. Só tenho essa sensação de que eu vi algo muito horrível, mas não sei o que é. 

-Por que você não faz o seguinte: antes de dormir deixe ao lado da cama um bloco de papel e uma caneta. Assim que você acordar de mais um sonho, anote tudo que você se lembra, sem pestanejar. Escreva mesmo se à princípio parecer sem sentido. Com certeza isso vai te ajudar.

-Na verdade, eu queria que você me ajudasse a parar de ter esses sonhos.

-Por quê? Os sonhos trazem mensagens importantes, não se deve ignorá-los.

-Eu tenho medo do que posso descobrir. Às vezes eu acho que existe outra dentro de mim.

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