A máquina dos sonhos

Acordou no meio de uma inspiração. O ar ficou retido nos pulmões até ela finalmente perceber que estava em sua cama. Expirou. O sonho tinha terminado.

Ainda com suor no rosto Verônica se sentou. Pegou o bloco de papel e a caneta que havia deixado na cabeceira e apenas sob a luz do luar que se esgueirava pela janela, escreveu: MORTE. Mas a tinta da caneta não saiu, deixando apenas um relevo fundo marcado a força. A caneta não estava pegando. Abriu a gaveta com pressa, pegou outra caneta e nada, também sem tinta.

Levantou num pulo e correu pro quarto antigo da sua meia irmã, Valquíria.  Desviando de caixas fechadas e de uma cama sem colchão encontrou uma escrivaninha cheia de papeis e revistas amontoados. Pegou um lápis, mas estava sem ponta. Eis que avistou embaixo de toda aquela bagunça uma antiga máquina de escrever. Uma “Hermes Baby portátil” como costumava dizer sua irmã, cheia de pompa. Verônica destacou a folha do bloco e a colocou na máquina. Logo o ruído certeiro de suas teclas cortava o silêncio da madrugada. Escreveu:

MORTE.

Era tudo que lembrava depos da caça às canetas. Continuou dedilhando a MORTE a esmo até que de repente, como se tomados de uma força exterior, os dedos começaram a formar palavras diferentes.

AZULEJOS PRETOS E BRANCOS

PÁSSARO VOANDO

AONDE ESTÁ

VALQUÍRIA

Verônica tirou o papel da máquina e releu. Não se lembrava mais de ter sonhado aquilo.

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